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16 de ago. de 2010

Emicida prepara novo trabalho para setembro

Janaina Castelo Branco/Divulgação

Com o lançamento no MySpace da música Emicidio, na última sexta-feira (13), começa a ganhar uma cara a segunda mixtape de Emicida, que deve chegar às ruas em setembro.
A parte de criação do novo projeto, ele conta, já está quase toda resolvida. O que vem dando trabalho mesmo é a burocracia. Documentos, autorizações, compra de equipamentos para o Laboratório Fantasma _espaço na zona norte inaugurado recentemente e sua "sede".
Lançada em maio do ano passado, a primeira mixtape de Emicida, Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, Até que Eu Cheguei Longe, cravou seu nome na história da música brasileira e o levou a palcos de todo o Brasil e à MTV, com direito a três indicações no VMB e uma participação na festa anunciando a apresentação de Erasmo Carlos.
Foram mais de 10 mil cópias vendidas, CDs a R$ 2, inicialmente produzidos em sistema caseiro e comercializados de mão em mão em todo o Brasil. Agora, é claro, além da expectativa, a demanda é maior. A estrutura é melhor e as coisas têm que acontecer num outro esquema.
   
- Agora é outra organização, outra 'responsa'. Uma das coisas que a gente quer fazer é intervenção na rua, continuar um caminho que a gente já trilhou. Mas agora precisa de estrutura, autorização. Da primeira vez, a gente entrava no trem fazendo freestyle [rimas no improviso].
Além de divulgar o trabalho, as intervenções acabam sendo também um jeito de não deixar de fora dos shows uma parcela numerosa do seu público, a garotada.
- Acho que eu tô me encontrando. Entrei no ônibus esses dias e uns moleques ficaram maravilhados. Porque com 18 anos não é a idade de você se apaixonar por música. Isso é com 13, 14 anos, quando você tem o sonho de fazer música. Eu gosto de participar disso.
As músicas da mixtape também vão mostrar que o rapper está conversando com os mais novos:

- Ela vem com uma cara de dez anos atrás, não no sentido de estar defasada, mas no sentido de que a coisa tem tomado rumos que não me agradam. O rap hoje tem ficado restrito a casas noturnas, e com isso você mata o direito da molecada de 13, 14 anos de conhecer o som.
O repertório
No repertório, diz Emicida, músicas compostas recentemente e sons mais antigos _mas tudo inédito.
- Tem músicas que sobraram da primeira mixtape, que naquela época eu não tinha achado uma base, agora achei. 
Entre as novas, uma que fez para a filha de seis meses.
- É uma música muito bonita, tô viciado nela. Mostrei pra um amigo que vai ser pai e ele se emocionou. É isso, sabe, eu escrevo sobre tudo que está próximo da minha vida.

Com dor no coração, ele diz, serão 20 faixas. A ideia inicial eram 17. E já vai sobrar material para uma terceira. Há várias participações _beats de Nave, Dario, Laudz, Casp e Renan Saman, além do rapper Kamau, do grupo Mão de Oito e do DJ Will, entre outros. Se tivesse optado por fazer um disco, fala, talvez não pudesse contar com tantas parcerias.  
- Com um disco você é meio que obrigado a mostrar uma cara, na mixtape me sinto mais livre.
E de liberdade para fazer as coisas do seu jeito Emicida não abre mão. O lado bom é que ninguém diz a ele como trabalhar. Exemplo disso é o clipe de E.m.i.c.i.d.a, que ficou pronto, rodado em Brasília, mas ninguém nunca viu. Emicida achou que ficou parecido demais com o primeiro, de Triunfo, e decidiu não lançar. O lado ruim é que o dinheiro não vem fácil. 
- A gente fez tudo independente. Já fui procurado por gravadora, mas a verdade é que para o meu lado ainda não apareceu nenhuma proposta que fosse mesmo interessante. Algumas marcas também já se aproximaram, mas na hora de investir, trabalhar sério ninguém quer. Então a gente optou por fazer independente, mas constrói uma parada séria, tirando dinheiro do bolso mesmo.

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