Nesta época em que vivemos, sob o signo da internet e celulares inteligentes, faltava uma nova história sobre “Amor à Distância” (Going the Distance). No centro da trama, temos um casal de apaixonados que moram bem longe um do outro: ele (Justin Long – “Duro de Matar 4”) em Nova York e ela (Drew Barrymoore – “As Panteras”) em São Francisco. Aliás, eles são um casal de verdade na chamada “vida real” e, depois do fim do relacionamento, continuam namorando, só que vivendo em casas diferentes.
Em função dessa sinopse, o mercado carimbou o filme como uma “comédia romântica”, provavelmente sem pedir a opinião da diretora Nanette Burstein, em seu primeiro longa de ficção. Ela deve saber que esse hábito de classificar os filmes em gêneros pode pesar, porque seu trabalho de estréia foi um documentário de longa metragem (“American Teen” – 2008) sobre adolescentes americanos, grupo avesso aos rótulos.
De fato, mesmo não sendo excepcional, “Amor à Distância” não pode ser considerado um filme romântico. Se o fosse, o relacionamento entre os personagens até renderia cenas emocionantes, além de lindos poemas e canções, como acontecia em épocas anteriores, em que as distâncias só podiam ser vencidas por carta ou a cavalo.
O tema é exatamente o confronto entre um projeto amoroso dos mais comuns e a tonelada de dificuldades impostas pelas condições objetivas de existência. A começar pelo companheiro de quarto do rapaz, que jamais tranca a porta do banheiro e se expressa por meio de palavrões, até a família da moça que o odeia com toda a franqueza, passando por todas as limitações financeiras da classe média: se eles tivessem recursos para cruzar o continente de avião todo o fim de semana, certamente não precisariam assinar ponto no trabalho e poderiam viver felizes para sempre.
Todo esse drama, porém, evolui numa acentuação cômica, repleta de gags extraídas justamente do choque entre o objetivo singelo dos namorados e a aspereza do resto do planeta.
Em alta sintonia, Justin Long e Drew Barrymore passam em “Amor à Distância” a idéia de que eles são os únicos normais, num mundo de neuróticos e nervosos.
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