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17 de jan. de 2011

Uma pornochanchada para a sessão da tarde: De Pernas pro Ar


Quem der uma olhada no trailler de “De Pernas pro Ar” poderá pensar que se trata de uma pornochanchada, como aquelas comédias eróticas dos anos 70. Isso porque a protagonista é uma mulher madura (Ingrid Guimarães), que perde o marido e o emprego ao mesmo tempo. E então, para sobreviver, monta uma loja de produtos eróticos com a vizinha (Maria Paula).
Apesar de alguns desses produtos aparecerem em cena, trata-se de um filme para a família, sem nenhuma cena erótica ou de nudez, feito até com certo moralismo de classe média. Se não fossem os artefatos plásticos, bem como os diálogos referentes à sua utilidade prática, o filme caberia numa sessão da tarde da TV. Principalmente porque o tema é, no fundo, a estabilidade da vida familiar, que é sempre colocada em perigo quando o trabalho da esposa (qualquer que seja ele) passa a ocupar as principais atenções e quase toda a energia da mulher.
A comicidade se apóia no histrionismo das atrizes principais e nas velhas fórmulas cênicas do vaudeville, em que o “mal entendido” ocupa posição de destaque. Como numa comédia de erros “puro sangue”, os personagens transitam por corredores dos prédios e batem em portas que não deviam e recebem pacotes destinados a outras pessoas.
Foi uma proeza do diretor Ricardo Santucci (“Bellini e a Esfinge”, 2001) construir uma comédia bem-humorada com tantas limitações.
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De Pernas pro Ar

(Brasil, 2010)

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