Quem der uma olhada no trailler de “De Pernas pro Ar” poderá pensar que se trata de uma pornochanchada, como aquelas comédias eróticas dos anos 70. Isso porque a protagonista é uma mulher madura (Ingrid Guimarães), que perde o marido e o emprego ao mesmo tempo. E então, para sobreviver, monta uma loja de produtos eróticos com a vizinha (Maria Paula).
Apesar de alguns desses produtos aparecerem em cena, trata-se de um filme para a família, sem nenhuma cena erótica ou de nudez, feito até com certo moralismo de classe média. Se não fossem os artefatos plásticos, bem como os diálogos referentes à sua utilidade prática, o filme caberia numa sessão da tarde da TV. Principalmente porque o tema é, no fundo, a estabilidade da vida familiar, que é sempre colocada em perigo quando o trabalho da esposa (qualquer que seja ele) passa a ocupar as principais atenções e quase toda a energia da mulher.
A comicidade se apóia no histrionismo das atrizes principais e nas velhas fórmulas cênicas do vaudeville, em que o “mal entendido” ocupa posição de destaque. Como numa comédia de erros “puro sangue”, os personagens transitam por corredores dos prédios e batem em portas que não deviam e recebem pacotes destinados a outras pessoas.
Foi uma proeza do diretor Ricardo Santucci (“Bellini e a Esfinge”, 2001) construir uma comédia bem-humorada com tantas limitações.
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